Tempo

Veja o relógio, não tem piedade,
marca as horas com precisão,
vai rodando ponteiros em sobriedade
arrastando consigo o meu coração


Tempo malvado, que tão célere corre !
empurrando a vida para depois,
atropelando momentos,induzindo à saudade
do que nem ainda vivemos, nós dois


Neusa Marilda
Direitos Reservados @

Vida fácil - mini conto

A menina habitava em rua de bairro pobre. A casa era muito simples, com varanda de onde quase não saía. Ali, dormia sob sonhos e amarguras, mal cuidada pela sua mãe que era frágil e não queria lutar pela vida. O tempo passou e só então, ao crescer, algo se modificou. Todos viram e a vizinhança comentou, mas entre mentiras e champagne, ela, o sustento de sua velha mãe conseguiu.


N.Marilda









Apagando memórias

Vasculho o céu,
afasto as nuvens,
uso a borracha do esquecimento
sem mais tristezas jogo tudo ao léu,
sigo o caminho apenas das estrelas
que refletem a esperança
no que de novo poderá surgir,
só assim entendo a vida
e a pretendo seguir


N. Marilda
22/01/16




Silêncio

Trilhas cobertas em rendas de luar,
apenas o silêncio preenchendo o vazio,
as estrelas soberanas e companheiras
anunciavam mais uma noite de estio

Passos ali nas pedras ressoavam
deixando marcas leves, com receio,
no coração apenas as saudades acompanhavam
essa ida sem volta, sem anseios

20/01/16

N. Marilda




Canções dos ventos



Foi assim, quase assim e será ...?
Falava com o vento. Houve época em que o recriminava, isto quando o insolente despenteava seus cabelos arrumados de maneira especial. Ele chegava e num sopro só fazia redemoinhos nas madeixas finas que se lançavam numa dança frenética. Ah...como ele era ousado e quantos impropérios deve ter ouvido! Com o tempo foi se acostumando a essa intromissão e até achava-se linda com os penteados que o intrometido fazia nos seus cachos. Passou a observá-lo noite e dia em cantigas ou gemidos que trazia de longe. Jurava que ele sabia contar as suas histórias e fatos lá do vazio por onde havia passado. Acostumou-se a decifrar sua voz e até a esperar sua vinda já considerada amiga. Como brisa chegava trazendo perfumes, cantos suaves e em outras horas era apenas um intruso de voz desafinada, forte e sem noção de onde queria ir. Viajava com ele por sobre montanhas e descia aos vales, onde rasteiro ficava a atropelar as miúdas flores do campo. Um dia recebeu de sua voz a mensagem: um perfume diferente, suave e marcante que parecia dizer - logo estarei com você, acolha-me, sou o amor verdadeiro. De onde viriam esse murmúrios? Onde ele os captou ? Assim, num ápice e surpresa a garota guardou este canto e odores num lugar do coração e ainda espera. Foi de poucos amores e estes não soavam a verdade que sempre mereceu. As vozes de todos os ventos passaram a ser amigas, nelas ainda confia, invadem seu espaço todo varrendo dúvidas e trazendo anseios. Voa junto como borboleta seguindo os rumos que indicam e certamente pousará sem receio onde sua alma reconhecer que valerá a pena.

N.Marilda
14/09/15